A trama com ares fantásticos é baseada na HQ El Hipnotizador, criada pelos argentinos Pablo De Santis e Juan Sáenz Valiente.
Gravada inteiramente no Uruguai, a série tem direção compartilhada de Alex Gabassi (Psi) e José Eduardo Belmonte (Alemão).
Logo na abertura vemos uma mulher misteriosa, num bosque incerto, desnuda e desmaiada. Não temos certeza se é sonho, delírio ou experiência real do protagonista Natalio Arenas (o argentino Leonardo Sbaraglia), o solitário hipnotizador do título.
Passado, presente e futuro se fundem ao clima soturno da série. As panorâmicas lembram a arquitetura dos anos 1920-30, período entre guerras mundiais explorado em filmes como Meia-Noite em Paris e O Grande Gatsby.
Como na minissérie Amorteamo (Rede Globo), não sabemos onde a trama se passa. Apesar do idioma bilíngue completamente compreensível - que mistura português e espanhol - ser prova da ambientação na América do Sul.
Decifrar o passado de Arenas será a grande aventura de O Hipnotizador. Já temos as primeiras peças desse enigma. Na cena inicial, o protagonista se livra da morte forçando um homem a cometer suicídio. História que será retomada no final do episódio.
A misé-en-scene é condizente com o tema. Há boa dosagem de cenas envolvendo espelhos, iluminação contrastando tons claro e escuro similar a fotografias antigas, privilegiando luzes naturais como janelas de escritórios. Os tons escuros também se fazem presentes nas roupas e nos objetos cênicos.
O tempo manifesta-se através de elementos como metrônomos e relógios, este último que remete muito ao movimento surrealista.
As maçãs e serpentes, figuras bíblicas ligadas ao pecado e ao desejo, mostram que o caminho a seguir deve ser um traumático triângulo amoroso envolvendo o psiquiatra Darak, rival de Arenas interpretado pelo mexicano radicado no Brasil Chico Díaz, e a misteriosa Lívia (Juliana Didone).
O antagonista Darak utiliza a hipnose para controle de mentes e é o responsável por condenar Arenas à insônia eterna. Notando que o inimigo resiste, decide caçá-lo em momentos de transe.
Arenas luta com Darek em seu inconsciente para voltar a acessar suas memórias e libertar-se. Enquanto isso, dedica-se a adormecer pessoas e desenterrar seus segredos mais profundos. A trama se desenvolve vagarosamente, sem efeitos especiais berrantes ou coisas do gênero. A trilha evoca o suspense, ainda de forma pouco assertiva. Pelo piloto, criamos empatia por poucos personagens.
— O objetivo (de Arenas) é tentar encontrar várias peças do quebra-cabeças de sua vida que crê estarem perdidas, as experiências de que não consegue recordar. A cada novo caso, se dá conta da ajuda de que ele mesmo necessita — disse Sbaraglia em entrevista ao jornal Zero Hora.
O Hipnotizador dá preocupantes indícios de que poderá seguir o caminho de uma série procedimental quando uma jovem busca o auxílio de Arenas no teatro de revistas. Ela decide contratá-lo para saber o que há por trás dos pesadelos com um certo "Homem Pássaro". Apenas a atuação da atriz Christiana Ubach deixa a desejar em momentos cruciais das sessões de regressão. Um ponto a ser melhorado.
Além do núcleo teatral, temos a acertada dinâmica entre a camareira e o dono de hotel onde Arenas passa a morar. "Hotéis são feitos pra dormir [...] Se o sono falha, o hotel não serve", sentencia Salinero. O local parece que será palco de boas histórias sobrenaturais.
O elenco fixo ainda conta com as brasileiras Bianca Comparato (Anita) e Marisol Ribeiro (Carolina), o uruguaio César Trancoso (Salinero), e os argentinos Marilú Marine (Domingas) e Chino Darín (Gregório).
A série O Hipnotizador é exibida aos domingos, às 21 horas, no canal pago HBO. Veja o primeiro episódio na íntegra neste link.



Um comentário:
A série Latino prefiro mil vezes mais do que qualquer outro, especialmente produzida para HBO-los pessoalmente o meu favorito era O Hipnotizador, que você certamente terá uma segunda temporada, porque ele tem sido bastante bem sucedido além das performances são ótimas a estréia de sua primeira temporada.
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